Da janela do ônibus

onibu

Liberdade é algo que significa muito pra mim. Sair de uma bolha de vez em quando faz bem, e  andar sozinha, me fez olhar o mundo por meio de outros pontos de vista. Quando estou sozinha no meio de pessoas que eu nunca vi, gosto de imaginar como é a vida delas. Eu não leio pensamentos, mas posso deduzir diante dos olhares. Devagar e sem olhos tão apressados, eu as observo e percebo cada detalhe de suas personalidades. Aos poucos, vou deduzindo o que cada um pensa sobre si mesmo e sobre todos ao redor deles. 

Com a cabeça encostada na janela, planejo minha vida em 15 minutos. Quem está do meu lado não importa, com os fones de ouvido eu não estou mais ali – eu sei que você me entende -. Praças vazias, senhoras na calçada, crianças correndo, senhores observando a TV, esperando o gol. Observando-os, sinto que dali poderiam sair novos destinos. Gente, acho que estou tomando muito remédio, né?

Alguns quilômetros depois, eu desço do ônibus, e chego finalmente a integração, um dos meus destinos do dia-a-dia. Tantas pessoas, tantos problemas, tantos pensamentos, tantos sofrimentos, tudo isso localizado em um único lugar. Ás vezes sinto que estou pensando tanto intensamente sobre as outras pessoas, que esqueço de refletir sobre mim. Normal e perdoável, certo? Quem nunca.

Cada pequeno detalhe é válido. É tudo tão igual, e ao mesmo tempo tão particular. Cada expressão, cada esquina.  Sinto que por instantes, poderia decifrar olhares e criar novos destinos.  

Acho que as vezes é difícil entender que cada pessoa tem um propósito de vida diferente.  Por mais que a gente imagine, suponha e torça, não podemos decifrar o que o outro realmente quer. Muito menos, ditar. É isso que dói, mas é essa a graça. Acredito que se soubéssemos o que o outro guarda dentro de si mesmo, nós deixaríamos de amá-lo no mesmo instante. A graça de verdade, é ir descobrindo por si só, da janela do ônibus, abraçados na cama ou até mesmo estudando para uma prova dificílima de matemática.

Uma vez, um passageiro (ao qual os demais achavam louco), me perguntou ”Qual o sentido da vida ?”; Com ar de riso, e quase brotando uma lágrima no rosto, eu respondi, o amor. 

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2 comentários sobre “Da janela do ônibus

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